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CURIOSIDADES SOBRE A FAMÍLIA BREDER

 

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COLABORE!!!

Se você tem informação de outro Breder que supere alguma marca abaixo ou sabe de uma curiosidade que gostaria que todos soubessem, envie para   
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1) DATA DE DESEMBARQUE DE CONRAD BREDER, O PRIMEIRO BREDER NO BRASIL: 13 de janeiro de 1824. Leia o Histórico da Família e verá muitos detalhes, inclusive que foram abordados em alto mar por um navio pirata.

2) NOME "APORTUGUESADO": Inicialmente nosso primeiro "patriarca" chamava-se Konrad Bröeder. No Brasil, quando de sua chegada, passou a ser chamado e foi cadastrado como Conrad Breder (escrita da língua portuguesa que mais se aproximava à pronúncia, perdendo a letra "o" e seu trema).

3) PRIMEIRA CIDADE OCUPADA PELOS BREDER: Foi a cidade de NOVA FRIBURGO (RJ), numa região chamada "Campo do Coelho". Nova Friburgo tem esse nome porque foi fundada pelos suíços (que chegaram ao Brasil pouco antes que os alemães), provenientes de Friburg. Daí o nome que remete a uma "Nova Friburg".

4) POR QUE MUITOS DESCENDENTES NÃO ASSINAM BREDER? Até meados do século passado, era uma prática muito comum os filhos assinarem somente o sobrenome do pai, diferente dos tempos atuais, onde os filhos normalmente assinam um sobrenome da mãe e um do pai. Portanto, todas as filhas Breder antigas, quando se casavam, passavam a assinar o sobrenome dos maridos e os filhos que nasciam assinavam somente o sobrenome do pai. Eis a razão porque há muitos Sathler, Eller, Emerich, Heringer, Póvoa, Condac e outros que são descendentes de Breder, embora não assinem este glorioso nome. A boa notícia é que, mesmo sem ter em seu registro de nascimento o sobrenome Breder, você pode colocá-los em seus filhos, se desejar, assim como fizeram Hudson Andrade da Silva (que é neto de Octacília Breder Machado) e sua esposa Marinelza Lúcia de Paula que registraram o sobrenome Breder em seus filhos Thayma Breder de Paula Andrade e Ryckelme Breder de Paula Andrade. É a forma mais simples de resgatar o sobrenome Breder para aqueles que desejarem vê-lo em suas descendências.

5) IGREJA PRESBITERIANA PARADA BREDER: Esta igreja, em pleno funcionamento, foi aberta dentro de uma da fazenda que pertenceu a Aristides Breder (avô do Pr. Ronaldo Breder) e leva esse nome porque dentro da fazenda passava a linha férrea e nela havia uma estação chamada "Parada Breder", onde o trem normalmente parava para carregar a produção de café.

6) O BREDER QUE MAIS VIVEU: Foi o querido PEDRO FRANCISCO SATHLER, esposo de Deolinda Eliza Breder. Ele viveu 97 anos e 39 dias. Nasceu em 21/02/1873 e faleceu em 01/04/1970. Quem é que vai bater esse recorde??? (eu sou forte candidato...)

7) O BREDER QUE TEVE MAIS FILHOS: O Breder abençoado foi EDUARDO BREDER, que foi casado três vezes, com 19 filhos (isso mesmo... dezenove). Para saber quem eram os filhos, descendentes ou ascendentes, consulte a Árvore Genealógica. Veja no ranking abaixo (considerando 10 filhos, no mínimo), como a disputa era acirrada (êta povo que sabe fazer filhos...):

19 Filhos: Eduardo Breder (9 com Amélia Maria Alves da Costa, 9 com Leontina Mathilde Hotz e 1 com Isabel Longo)  

16 Filhos: Augusto Breder e Maria Baptista de Freitas

15 Filhos: Aristides Breder e Leontina Fernandes de Almeida

14 Filhos: Henrique Breder e Perciliana Vieira de Gouveia

                Avelina Breder Pinheiro e Floriano José Pinheiro

                Acidália Sathler e Eduardo Sathler

                Nilza Soares Sathler e Orlandino Sathler

               Jair Soares Breder (6 com Joaquina dos Santos Breder e 8 com Ana Maria Breder)

13 Filhos: Aulina Sathler Batista e Nozor Batista de Araújo

12 Filhos: Luciano Breder e Octávia Fernandes de Almeida

                Artulino Breder Junior e Aurora Tiengo Breder

                Arlindo Póvoa e Angelina Sofia Schwenk

                Orlando Sathler (5 com Dionizia Machado Sathler e 7 com Aulina Sathler)

                Iracy Soares de Freitas e Rubens de Freitas

11 Filhos: Manoel Marcelino Breder e Tarcília Burich Breder

                Jordelino Breder e Ana Heringer Breder

                Octacília Breder Machado e Lino Andrade Machado

                Grimaldo Lopes da Silva e Néia Vieira Lopes

                Antídio Breder e Darcy Emerich Breder

                Almerinda Breder Sathler e João Soares Carneiro

                Josino Soares Carneiro e Durcy Sathler Soares

                Atalia Sathler Heiderich e Elias Heiderich

                Ilda Sathler Emerich e Manoel Erocrides Emerich

                Sely Sathler Ruela e Darcila Sathler Ruela

10 Filhos: Guilhermina Luíza Breder Póvoa e Manoel Póvoa

                Arnaldo Breder e Maria Cecília Schwenk Breder

                Alfredo José Francisco Breder (8 com Virgília Lopes de Sá Breder e 2  com Maria Madalena)

                Genário Breder e Noêmia Pinheiro Breder

                Avelina Sathler Lopes e Sebastião Lopes

                Brasilina Sathler Moura

                Maria Astrogilda Sathler Gripp

8) PRESERVAÇÃO DE NOME NA DESCENDÊNCIA: Guilherme Breder (filho de Tobias Breder) teve um filho chamado Aristides Breder (avô do Pr. Ronaldo Breder), que teve um filho chamado Guilherme Breder, que teve um filho chamado Aristides Breder, que teve um filho chamado Guilherme Breder (será que este terá um filho chamado Aristides Breder?).

9) CASAMENTO DOSE DUPLA: dois irmãos da Família Breder casaram-se na mesma cerimônia com duas irmãs da Família Fernandes de Almeida. Os casais foram: Aristides e Leontina (avós do Pr. Ronaldo Breder) e Geraldino e Rosalina. O curioso é que o pastor que celebrou o casamento se confundiu e quase trocou os noivos... ê, pastor abençoado, querendo bagunçar as gerações futuras... rsrsrsrs...

10) CAVALGADA BREDER: Era muito comum a família do Manoel Marcelino Breder, que vivia numa fazenda em Manhuaçu-MG, ir toda à cavalo para a Parada Breder, passar o fim de semana na casa de Aristides Breder (avô do Pr. Ronaldo Breder). As "tropas" se juntavam e a farra era grande. Quem sabe se não foi num desses fins de semana que os dois primos, Josias e Erotides, se apaixonaram e se casaram...???

11) MANTEIGA DE NATA: Era muito comum as famílias, que possuíam fazenda, fazerem a manteiga de nata. A Família Breder não ficava atrás. Como toda fazenda tem seu gado de leite, o processo consistia em juntar a nata do leite em um recipiente e adicionar sal (afinal não havia geladeira), outra camada de nata e sal e assim até juntar bastante. Depois, batia-se toda aquela nata com sal até virar manteiga, que era muito usada para fazer broa e outras delícias. Quem é mais antigo se lembra muito...

12) BREDER FORTE É COM "MALHADA": Nosso grande Pedro Francisco Sathler, esposo de Deolinda Eliza Breder, era um homem alto e muito forte (você pode ver fotos dele em "Fotos Antigas"). O segredo? Todo dia de manhã, no café, ele comia uma pratada de malhada (angu com leite e açúcar). Minha mãe, Zeny Breder, presenciou esse fato muitas vezes, quando o "Tio Pedro" visitava meus avós. Que tal uma malhada???

13) ESQUENTANDO O PÉ NA "BOSTA": Acredite! Essa foi contada pelo querido Gedival Breder, filho de Geraldino Breder (está até filmada esta declaração na fita VHS do Primeiro Encontro da Família). Ele conta que quando era criança, ele e seus irmãos levantavam muito cedo e ajudavam seu pai a tirar o leite do gado. Quando estava muito frio (quem conhece a região de Caparaó, sabe o que é frio), eles enfiavam o pé na "bosta" da vaca para que ficassem bem aquecidos e diminuísse o frio... êta, Gedival !!! Na "bosta" ????

14) O MAIOR CONTADOR DE "CAUSOS": Quem nunca ouviu um "causo" contado pelo nosso grande LINO ANDRADE MACHADO, esposo de Octacília Breder Machado, perdeu a chance de ver o talento em pessoa. Eu mesmo tive o grande privilégio de poder ouvi-lo em sua própria casa na fazenda em Mutum (MG). Enquanto houvesse público, era um "causo" atrás do outro... era de rir até doer a mandíbula. Muitas vezes, a lua, que crescia e brilhava por trás do monte na fazenda, era o bastante para iluminar e agraciar aqueles momentos fantásticos do "Seu Lino" contando os causos, muitas vezes até o sol nascer. Nunca me esquecerei... saudades, querido Lino...

15) ANNE ELIZABETH BREDER - 183 ANOS: Hoje é dia 05 de fevereiro de 2009 (data do registro desta curiosidade). É o aniversário de 183 anos de nascimento da primeira BREDER nascida no Brasil. Anne Elizabeth era filha de Conrad Breder e Elizabeth Maurer e irmã de Tobias e Henrique. Nossos primos, Haroldo Breder e sua esposa Adriana, colocaram este nome, ANNE ELIZABETH, em sua primeira filha, em homenagem à nossa matriarca e porque é um belo nome, claro...

16) MÉTODO REDERB: Você o conhece? Trata-se de um Método de Corte e Costura elaborado por três irmãs Breder: Marcionília, Jacira e Áurea (todas filhas de Manuel Marcelino Breder). Era um método inovador, desde a forma de "tirar as medidas", fazer o molde, cortar o tecido e costurar. A mãe do Pr. Breder, Zeny Breder, aproveitou uma viagem, há muitos anos, onde a Marcionília ficou três dias em sua casa, no Rio de Janeiro, e naquelas três noites aprendeu todo o método e passou a viver o ofício de costureira, diplomada pelo Método Rederb. Tornou-se uma excelente profissional e costura até hoje para uma grande clientela (até hoje ela guarda o manual elaborado pelas autoras). O curioso é que esse método revolucionário na arte de Corte e Costura tem esse nome REDERB, que é BREDER de trás para frente.

17) PAIS E FILHOS CASARAM NA MESMA IGREJA: Que bênção e fato curioso... primeiro, casam-se ALAÔR PÓVOA e MARIA MADALENA HUEBRA PÓVOA. Ele, o 12º filho de Arlindo Póvoa, que foi o 5º filho de Guilhermina Luiza Breder Póvoa. O casamento foi realizado na IGREJA PRESBITERIANA EM REDUTO (MG), em 1973. Posteriormente, casaram-se na mesma igreja os filhos:

- ALESSANDRA com LUIS CARLOS, em 1992;

- ANDERSON com CLÁUDIA, em 1995;

- ALINE com ANDREILTON, em 2007.

18) ORMEZINDA ALMEIDA, casada com DORIVALDES BREDER, conta com um largo sorriso no rosto uma história muito curiosa sobre ela. Zinda, como é carinhosamente chamada, ainda forte e cheia de saúde completará, em março de 2010, 86 anos e curte seus filhos, netos e bisneto. Conta ela que era para ter outro nome. Quando nasceu, sua mãe pediu ao seu pai que fosse no cartório registrá-la e colocasse o nome de DALILA. Ele pegou o cavalo e partiu para o registro; lá pelas tantas, no meio do caminho, ele esqueceu o nome que sua esposa havia escolhido e, ao chegar no cartório, não sabia qual era o nome. O tabelião disse para ele: "Por que você não coloca o nome de ORMEZINDA?" Ele topou e registrou... e, assim, tivemos mais uma agregada com um nome tão lindo: ORMEZINDA... Bem, pelo menos, ela não cortou as tranças do saudoso esposo VADE (DORIVALDES), até porque ele não tinha tanto cabelo assim... será que o nome dele também foi o tabelião que sugeriu? melhor não pesquisar... rsrsrsrs...

 
Árvore Genealógica Imprimir E-mail

ÁRVORE GENEALÓGICA DA FAMÍLIA BREDER

Você é BREDER? Então procure seu nome e de seus familiares na Árvore Genealógica abaixo. Se não estiver registrado ou possuir algum dado errado, mande-me um e-mail urgente com todas as informações corretas para que possa ser corrigido.

Veja como é a estrutura - Eu, Ronaldo Breder de Oliveira, sou o 1.5.9.10.3, que significa:

1 - Tobias Breder - primeiro filho do casal alemão que chegou ao Brasil

5 - Guilherme Breder - quinto filho de Tobias Breder

9 - Aristides Breder - nono filho de Guilherme Breder

10 - Zeny Breder de Oliveira - décima filha de Aristides Breder

3 - Ronaldo Breder de Oliveira - terceiro filho de Zeny Breder de Oliveira

Cada nome deve ter as seguintes informações:

(NASC-FALEC) NOME DO BREDER / CASAMENTO / NOME DO CÔNJUGE (NASC-FALEC)

Se você souber de algum dado que ainda não está na árvore, envie para mim, ok? Alguns nomes têm filhos, mas estão preenchidos com "pontinhos". Isto quer dizer que sabemos que aquela pessoa teve filhos (às vezes até a quantidade), mas não sabemos os nomes.

Ajude-nos a registrar nossa história! Divulgue a todos os Breder que você tem contato. Dedicando apenas alguns minutos, você pode colaborar com informações que se perpetuarão no meio da família.

Abrir o arquivo Árvore Genealógica em PDF.

Obrigado e Deus o abençoe!

Pr. Breder

 

 

 
Introdução - LEIA Imprimir E-mail

INTRODUÇÃO

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Sempre fui apaixonado pela FAMÍLIA BREDER, da qual tenho imenso prazer de pertencer e assinar. Desde criança, ficava incomodando minha mãe para me contar as histórias dos BREDER antigos, como a família chegou ao Brasil e outras coisas mais. Catalogar a história da família é um trabalho árduo, pois poucas pessoas na grande FAMÍLIA BREDER demonstram o mesmo interesse. Algo dentro de mim buscava saber mais e fiz muitas, inúmeras pesquisas. Sabia muito sobre nosso tronco familiar ligado ao vovô ARISTIDES BREDER, o famoso Zico Breder, fazendeiro na região da Zona da mata Mineira, em especial: Manhuaçu, Manhumirim, Reduto, Alto Jequitibá, Caparaó. Porém, sabia que a FAMÍLIA BREDER era muito maior, afinal eram muitos irmãos do vovô, sem falar nos troncos que eu sequer conhecia.

Descobri que essa paixão tinha uma forte razão e muito profética para mim: A FAMÍLIA BREDER e outras 25 famílias, lideradas pelo Pr. SAUERBRONN, foram as PRIMEIRAS FAMÍLIAS EVANGÉLICAS A PISAREM O BRASIL (você poderá ler com detalhes no lindo Histórico da Família Breder escrito pelo primo Cláudio José, casado com Elienes Breder). Deus foi abrindo as portas e conheci outros BREDER apaixonados pela FAMÍLIA BREDER e que também tinham a mesma preocupação que eu, ou seja, registrar a história e catalogar todos os BREDER que existem. Parentes como CLÁUDIO JOSÉ (em MUtum-MG), MARIA IGNÊS BREDER (em Nova Friburgo-RJ), HAROLDO BREDER (em Rio Piracicaba-MG), LIEL BREDER e sua esposa MYRTES (em Alto Jequitibá-MG) e SINVAL SATHLER SOARES (que também é Breder) foram cruciais para termos o que temos até hoje.

Como não existe ainda um site exclusivo da FAMÍLIA BREDER, abri este espaço em meu site pessoal para que você possa conhecer mais sobre nossa FAMÍLIA BREDER e , quem sabe, até contribuir com mais informações e fotos.

Por isso, convido-o a clicar no menu à esquerda, em FAMÍLIA BREDER, e navegar pelo fantástico mundo de nossa família. Se perceber alguma informação errada ou desejar enviar fotos para publicação, se notou que está faltando alguém na Árvore Genealógica, mande um e-mail para mim, clicando em CONTATO, ok?

Por favor, divulgue este trabalho a todos os BREDER que você conhece e mande para mim os e-mails dos BREDER que você tem contato, para eu acrescentar em minha lista.

Ah!!! Aproveite para navegar por todo o site e conhecer mais sobre minha vida e meu ministério pastoral.

TENHA ORGULHO DE SER BREDER !!!

DEUS o abençoe, hoje e sempre!

Pr. RONALDO BREDER DE OLIVEIRA

Entenda como funciona a ÁRVORE GENEALÓGICA DA FAMÍLIA BREDER

Você é BREDER? Então procure seu nome e de seus familiares na Árvore Genealógica. Se não estiver registrado ou possuir algum dado errado, mande-me um e-mail urgente com todas as informações corretas para que possa ser corrigido.

Veja como é a estrutura - Eu, Ronaldo Breder de Oliveira, sou o 1.5.9.10.3, que significa:

1 - Tobias Breder - primeiro filho do casal alemão que chegou ao Brasil

5 - Guilherme Breder - quinto filho de Tobias Breder

9 - Aristides Breder - nono filho de Guilherme Breder

10 - Zeny Breder de Oliveira - décima filha de Aristides Breder

3 - Ronaldo Breder de Oliveira - terceiro filho de Zeny Breder de Oliveira

Cada nome deve ter as seguintes informações:

(NASC-FALEC) NOME DO BREDER / CASAMENTO / NOME DO CÔNJUGE (NASC-FALEC)

Se você souber de algum dado que ainda não está na árvore, envie para mim, ok? Alguns nomes têm filhos, mas estão preenchidos com "pontinhos". Isto quer dizer que sabemos que aquela pessoa teve filhos (às vezes até a quantidade), mas não sabemos os nomes.

Ajude-nos a registrar nossa história! Divulgue a todos os Breder que você tem contato. Dedicando apenas alguns minutos, você pode colaborar com informações que se perpetuarão no meio da família.

Obrigado,

Pr. Breder

 
Histórico da Família Breder Imprimir E-mail

HISTÓRICO DA FAMÍLIA BREDER

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Alto Jequitibá / MG, 14 e 15 de julho de 2001

 

C l á u d i o J o s é

 

A Bíblia diz em Gênesis que, após a morte trágica de Abel, Adão gerou a Sete e este gerou a Enos - daí se começou a invocar o nome do Senhor. Enos gerou a Cainã, que gerou a Maalaleel, que gerou a Jerede, que gerou a Enoque - um homem que andou com Deus. Enoque gerou a Metusalém, que gerou a Lameque, que gerou a Noé - homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus. E ele gerou a Sem, Arfaxade, Salá, Héber, Pelegue, Reú, Serugue, Naor, Terá e Abrão, a quem disse: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei e te engrandecerei o nome: Sê tu uma bênção.

Obedecendo à ordem divina de deixar o homem pai e mãe e se unir à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne, e lembrando-se da bênção divina para que fossem fecundos, multiplicassem, enchessem a terra e sujeitassem-na, Abraão gerou a Isaque, este a Jacó, a Judá, Perez, Ezrom, Arão, Aminadabe, Naassom, Salmom, Boaz, Obede, a Jessé e este ao Rei Davi - um homem segundo o coração de Deus. Davi gerou a Salomão, e este a Roboão, a Abias, Asa, Josafá, Jorão, Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, Manassés, Amom, Josias e este a Jeconias, no tempo do exílio em Babilônia, quando os hebreus penduraram as harpas nos salgueiros, assentando e chorando, lembrando de Sião.

Jeconias gerou a Salatiel, este a Zorobabel, Abiúde, Eliaquim, Azor, Sadoque, Aquim, Eliúde, Eleázar, Matã, Jacó e a José, marido de Maria. Esta, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus conosco. Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.

O menino que trouxe alarme ao Rei Herodes, que foi adorado pelos magos do Oriente, que teve de fugir com os pais para o Egito, voltou para a Galiléia, para a sua cidade, Nazaré, onde crescia em sabedoria e graça diante de Deus e dos homens, causando admiração aos doutores e mestres no templo. Antes mesmo de convocar seus discípulos, sua mensagem já incomodava, ao dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus. Dizendo não ter vindo para revogar a lei, mas para cumpri-la, começou seus ensinamentos dizendo que felizes seriam os humildes de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores e os perseguidos por causa da justiça, garantindo que para estes será grande o galardão nos céus.

Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo; se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus; todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela; não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos; seja, porém, a tua palavra: sim, sim; não, não. O que disto passar, vem do maligno; não resistais ao perverso... volta-lhe também a outra... deixa-lhe também a capa... vai com ele duas; dá a quem te pede, e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes; amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; sede vós perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celeste.

E como não era novela, nem filme na televisão, não houve intervalo para os comerciais: Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; ao dares esmola, ignore a tua esquerda o que faz a tua direita; quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai que está em secreto, e teu pai, que vê em secreto, te recompensará; se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará, se, porém, não perdoardes... tão pouco vosso Pai vos perdoará; não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra... mas ajuntai... no céu... porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração; não podeis servir a Deus e às riquezas.

Olhares atentos! Ninguém se mexia. E vieram mais ensinamentos: Não andeis ansiosos pela vossa vida... observai as aves do céu... considerai como crescem os lírios do campo ... buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas... não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; não julgueis para que não sejais julgados; por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?; pedi, e dar-se-vos-á, buscai, e achareis, batei, e abrir-se-vos-á; tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; entrai pela porta estreita; acautelai-vos dos falsos profetas - pelos seus frutos os conhecereis; nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Não é de admirar que as multidões ficassem maravilhadas da sua doutrina, porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas.

E o Jesus que veio com a missão de evangelizar aos pobres, de proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para por em liberdade aos oprimidos e apregoar o ano aceitável do Senhor, dividiu a História da humanidade com sua vida e seu ministério. Ao homem coberto de lepra ele tocou e disse: quero, fica limpo; ao paralítico de Cafarnaum ordenou: levanta-te, toma o teu leito, e vai para casa; ao homem da mão ressequida falou: estende a mão e a mão lhe foi restaurada; à distância curou o servo de um centurião; compadecido da viúva de Naim, ressuscitou seu filho, ordenando: levanta-te; ao endemoninhado geraseno libertou da legião e orientou: volta para casa e conta aos teus tudo o que Deus fez por ti; à mulher enferma de uma hemorragia, havia doze anos, que lhe tocou nas vestes, disse: filha, a tua fé te salvou, vai-te em paz.

A filha de Jairo, que já estava morta, tomou pela mão e disse em voz alta: Menina, levanta-te, ela se levantou e ele mandou que lhe dessem de comer; ao jovem possesso repreendeu o espírito imundo, curando-o e entregando-o ao pai; ao endemoninhado mudo expeliu o demônio e o mudo passou a falar; a mulher que andava encurvada, possessa de um espírito de enfermidade, havia dezoito anos, disse: mulher, estás livre - ela imediatamente se endireitou e dava glória a Deus; ao homem hidrópico curou e o despediu; aos dez leprosos curou, embora apenas um voltasse para agradecê-lo; ao cego de Jericó disse: Recupera a tua vista e imediatamente tornou a ver. Por tudo isso foi que mandou dizer a João: os cegos vêem, os coxos andavam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres anuncia-se-lhes o evangelho.

Nunca querendo passar aos ouvintes a idéia de um evangelho fácil, desafiava: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se, ou a causar dano a si mesmo? Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos. E a outros disse: As raposas têm seus covis e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. E após tantos milagres, tantas parábolas, tantos momentos de oração; após ser rejeitado pelos de sua própria casa e cidade, após as muitas vezes que foi perseguido pelos fariseus e saduceus, traído e negado por quem estava ao seu lado, perguntou aos doze se também não queriam se retirar. A resposta de Pedro ecoa pelos séculos e pelos continentes, entrando nas casas mais simples de cada cristão que ainda hoje confessa: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus.

Jesus foi desprezado e o mais rejeitado entre os homens... dele não fizemos caso... certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si... aflito, ferido de Deus e oprimido... traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados... ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a sua boca, como cordeiro foi levado ao matadouro. Mas ao terceiro dia Deus o ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, fazendo-o Senhor e Cristo.

 

*************************

Nasce a Igreja com uma pregação simples mas eficiente: arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. E os novos convertidos perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa, e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.

Dispostos a viver a vida evangélica até às últimas conseqüências, muitos foram mortos, a exemplo de Estêvão, que foi apedrejado e seu corpo lançado fora da cidade. Suas vestes foram deixadas aos pés de um jovem chamado Saulo. Este assolava a igreja, entrando pelas casas e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere. Mas pela infinita misericórdia de Deus, Saulo se encontra com Jesus na estrada de Damasco e se transforma num grande apóstolo a serviço da igreja, que a partir daí, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número.

Em viagens missionárias a tantos lugares fundou igrejas e visitava os irmãos, trabalhando para não ser pesado a ninguém. Foi preso muitas vezes, levou açoites sem medida, esteve em perigos de morte, foi apedrejado, sofreu naufrágios, foi fustigado com varas, esteve entre falsos irmãos, passou fome e sede, sofreu frio e nudez. Mas o que mais pesava sobre ele era a preocupação que tinha com cada igreja. Aos romanos afirmou: não me envergonho do evangelho; o homem é justificado pela fé; nada nos separará do amor de Cristo; se com a boca confessarmos a Jesus e no coração crermos .... seremos salvos.

Aos coríntios escreveu: todas as cousas são lícitas mas nem todas convém; aquele que pensa estar em pé, veja que não caia; sede meus imitadores; examine-se pois o homem a si mesmo; o amor é paciente, é benigno, não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece; em tudo somos atribulados, perplexos, perseguidos e abatidos, porém não angustiados, desanimados, desamparados e destruídos; não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; a minha graça te basta; aos gálatas recomendou: andai no espírito; levai as cargas uns dos outros; de Deus não se zomba; porque trago no corpo as marcas de Jesus; aos efésios ensinou: pela graça sois salvos, mediante a fé; deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo; não entristeçais o espírito de Deus.

Aos filipenses professou: para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro; fazei tudo sem murmurações nem contendas; alegrai-vos sempre no Senhor; tudo posso naquele que me fortalece; aos colossenses levou: pensai nas cousas lá do alto, não nas que são aqui da terra; Esposas, sede submissas, maridos amai vossas esposas, filhos obedecei vossos pais, pais não irriteis vossos filhos, servos obedecei vossos senhores; a vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal; aos tessalonicenses proclamou: pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; vivei em paz uns com os outros; orai sem cessar; se alguém não quer trabalhar, também não coma.

Com a destruição de Jerusalém, inúmeros cristãos passaram a viver na periferia de Roma, juntamente com outros judeus. O imperador Nero foi o primeiro a perseguir os cristãos, acusados de terem provocado o incêndio de Roma no ano 64 da era cristã. Pedro e Paulo foram martirizados. Também morreram Tiago, João e todos os discípulos, e também toda aquela geração que conviveu com Cristo, ouvindo seus ensinamentos e presenciando seus milagres. Os cristãos que participaram do início da igreja também faleceram. O tempo foi passando, novas gerações surgiram, os séculos voaram e o povo se distanciando cada vez mais da pureza do evangelho, da doutrina dos apóstolos, das gloriosas e genuínas experiências da vida cristã.

Só Deus sabe o que passaram os cristãos que viveram nos primeiros séculos da era cristã, perseguidos por desejarem viver uma vida piedosa em Cristo. O império romano, usando da força, trabalhando para que cada vez mais o cristianismo fosse associado ao governo, massacrava os cristãos que iam de encontro às exigências de Roma. Por isso, vários cristãos foram subjugados e devorados pelos leões nas arenas. Algumas vozes se levantaram e movimentos reformistas surgiram no interior da igreja, de quando em quando, como a figura notável de Santo Agostinho, São Francisco de Assis, São Tomás de Aquino e alguns outros, pregando uma vida mais coerente com o evangelho. Mas a força de Roma era desafiadora e bastante cruel!

Em 1.231 o papa Gregório IX, por força arbitrária de lei, criou o Tribunal da Inquisição, ou Santo Ofício, com o objetivo de investigar, prender e julgar todos os suspeitos de heresia contra a ortodoxia católica. Sua origem remonta ao século IV, mas atingiu o auge no século XIII. Por não concordarem com as normas de Roma, cristãos eram arrancados do seio de suas famílias, levados para lugares secretos, submetidos a longos interrogatórios, sofrendo torturas absurdas, sujeitos a trabalhos forçados, condenados às vezes à prisão perpétua ou ao desterro, ou sendo estrangulados, tendo todos os seus bens confiscados e suas famílias deixadas em apuros. Embora o julgamento e as execuções fossem efetuados pelas autoridades civis, esse particular não diminuía a responsabilidade da igreja romana, que ainda as celebrava em autos-de-fé públicos com ritual solene. Vergonhosamente, a lei só foi abolida no ano de 1821, após 590 anos de trevas e horrores, onde, em nome da religião e da fé, cerca de 40 mil cristãos foram vitimados, dos quais 1.175 perderam a vida nas fogueiras.

A ordem de Jesus era para todas as gerações: examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. A Bíblia fala dos crentes de Beréia que eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram de fato assim. E em carta a Timóteo Paulo afirmou: Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. Mas como fazer com que o povo lesse a Bíblia, uma vez que ela não estava disponível?

O Deus da História já estava providenciando tudo. Em 1390 nascia na Alemanha um menino que ganhou o nome de Gutenberg, o inventor da tipografia. Em 1450 ele montou uma oficina impressora e com cinco anos de trabalho imprimiu sua grande Bíblia em latim, com 1282 páginas. Foi um grande avanço que motivou várias traduções, que seguiram a Septuaginta e a Vulgata. Trinta e três anos após, ali mesmo na Alemanha, nasce Martinho Lutero num ambiente religioso e de disciplina rigorosa, tendo sido admitido na ordem dos eremitas agostinianos. Numa viagem que fez a Roma, em 1510, para tratar de assuntos da Ordem, ficou chocado com a frivolidade da cúria romana. A ruptura com a hierarquia católica iniciou-se em 1517, indignado que estava com os abusos na venda de indulgências - que permitia a comutação parcial de penitências em troca do pagamento de uma soma de dinheiro. Lutero afixou, na porta da igreja do castelo de Wittenberg, as 95 teses que formulara protestando contra tal sistema.

Em 1518 Lutero enviou ao Papa Leão X um documento no qual sustentava que as indulgências não haviam sido instituídas por Cristo, mas pelo papado. Excomungado em 1521, após ter negado a autoridade divina do papa e recusado a encontrar-se com ele em Roma, decidiu registrar suas opiniões por escrito, redigindo três célebres tratados que estabeleceram a base do luteranismo e o início da Reforma, onde afirma a salvação do homem apenas pela fé. Treze anos mais tarde concluiu a tradução completa da Bíblia em alemão, que, juntamente com suas coleções de hinos e salmos, desempenhou papel fundamental na fixação da língua alemã. Seguiram-se várias traduções: inglesas, italianas, francesas e outras.

 

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O interesse maior no próprio enriquecimento material do que na orientação espiritual dos fiéis, a progressiva secularização da vida social, imposta pelo humanismo renascentista e a ignorância e o relaxamento moral do baixo clero foram os fatores que desencadearam a Reforma do Século XVI. E também, coincidentemente, a proclamação das 95 teses de Martinho Lutero antecederam a chegada dos legados papais que anunciavam uma indulgência em troca da doação em dinheiro para a construção da basílica de São Pedro, em Roma. Foi, por assim dizer, a gota d'água que faltava. As diversas denominações protestantes surgidas nesse período, como o luteranismo na Alemanha, o calvinismo na Suíça e o anglicanismo na Inglaterra, difundiram-se rapidamente em vista de sua maior capacidade de adaptação dos valores da emergente sociedade burquesa.

Além dessa fixação doutrinária, os fiéis luteranos ganharam também, com o correr do tempo, um dos mais ricos acervos hinológicos da história das religiões. Fator indispensável à coesão das comunidades religiosas e à atração de seus ritos, o hino teve grande expansão nos estados alemães. O próprio Lutero foi eminente compositor de hinos, e em torno de um deles, Castelo Forte, Johann Sebastian Bach, nascido duzentos anos mais tarde, também na Alemanha, apelidado de "segundo Beethoven", compôs sua cantata homônima, BWV 80. Na realidade, o gênio de Bach, sobretudo na música vocal, é indissolúvel na liturgia e nos princípios da igreja luterana de sua terra. Num século de tão boas mudanças, foi uma maravilha o surgimento de grandes compositores, tanto na Alemanha como em toda a Europa, que contribuíram tanto com a Humanidade: Johann Sebastian Bach, em 1685; Wolfgang Amadeus Mozart, em 1756, Ludwig van Beethoven, em 1770; Frederic Chopin, em 1810; Franz Liszt, em 1811; Johannes Brahms, em 1833 e vários outros.

Embora bons ventos soprassem para aquelas comunidades, no que diz respeito à fé, a situação econômica e política da Alemanha, e de quase toda a Europa, passava por sérias turbulências. Napoleão Bonaparte havia nascido na Córsega, em 1769, dois anos após o nascimento de D. João VI, que foi rei de Portugal.(Abrindo um parênteses: na Alemanha existia uma família humilde que acompanhava todos esses acontecimentos, mas sempre confiando em Deus; fecha parênteses). Napoleão, um gênio militar e extraordinário estadista, aos nove anos foi para a França, aos l6 já era oficial de artilharia e aos 24 general-de-brigada. Enquanto isso, aos 18 anos, D. João VI já se casara com a infanta espanhola Carlota Joaquina e, por sucessão, tomara o título de príncipe do Brasil, sendo-lhe atribuído o governo aos 32 anos. (Outro parênteses: nesse mesmo período, naquela família humilde da Alemanha, havia nascido um menino que ganhara o nome de Konrad Breder, trazendo muita alegria para os pais; fecha parênteses).

Aos 26 anos, Napoleão Bonaparte já comandava as tropas francesas na Itália e numa sucessão de vitórias, derrotou piemonteses e austríacos, ocupou o Egito e aos 30 anos detinha todos os poderes, assumindo o governo, a administração, a polícia, a magistratura e as finanças. Em 1802 se fez proclamar cônsul vitalício da França e dois anos depois foi proclamado I imperador dos franceses, com a presença do Papa Pio VII, presidindo a sagração do novo soberano. No ano seguinte foi coroado rei da Itália. Vencidas a Alemanha, a Itália e a Holanda, decretou bloqueio continental a Inglaterra, empreendendo logo após a conquista no trono da Espanha, quando também a Áustria acabou subjugada, atingindo Portugal. (Novos parênteses: Konrad Breder, que sempre acompanhava seus pais para a igreja, onde gostava de brincar com os coleguinhas depois do culto, já era um jovem adolescente, agora de olho numa menina de sua comunidade, Elisabeth; fecha parênteses).

Com a invasão de Portugal em 1807 pelas tropas napoleônicas, D. João VI refugiou-se no Brasil, acompanhado da corte. Veio junto seu filho Pedro de Alcântara, futuro imperador do Brasil, com 9 anos. Pouco depois dessa época, Napoleão Bonaparte enfrentou a coalizão de todas as potências européias e foi derrotado, retirando-se para a França, logo invadida por russos e prussianos. Após a queda de Paris, em 1814, renunciou à coroa e partiu para o exílio, na ilha de Elba. (Abrindo novos parênteses: Konrad Breder, um simples carroceiro, já com seus 27 anos, se casava com Elisabeth, numa cerimônia de muita música, sob as bênçãos de Deus. E agora não vamos mais fechar os parênteses).

A família Breder, sempre acompanhando os acontecimentos da sua época, sabia que havia uma crise estabelecida no país, por causa do controle francês a todo o território alemão, imposto pelos exércitos revolucionário e napoleônico e que isso não se resolveria da noite para o dia. O casal já havia recebido também um presente de Deus, com o nascimento do primeiro filho, Tobias Breder, em 1816. As conversas giravam em torno do seu futuro e das preocupações com a instabilidade econômica, política e social da Alemanha. Sonhavam em dar a ele um pouco mais de conforto do que puderam ter e a situação era de fato preocupante. Sabiam das pestes que dizimaram populações inteiras e do tanto de mulheres e crianças que ficaram viúvas e órfãs, por causa da guerra. E a vida continuava, os dias passando cada vez mais rapidamente. Logo em 1818 nasce o segundo filho, Heinrich, que também trouxe muita alegria ao casal, ao mesmo tempo que dobravam as preocupações quanto ao futuro daqueles garotos tão especiais.

Por essas e outras razões, uma leva de 1400 suiços partiu para o Brasil, logo em 1820, em busca do Novo Mundo. Imaginemos quantas e quantas noites Konrad e Elisabeth devem ter passado em claro, conversando, orando e chorando, trocando idéias, rogando a Deus que lhes desse uma direção certa. Não queriam errar, mas sabiam que precisavam tomar uma decisão e, quem sabe, até mudar com as crianças para outra região. Sempre apreensivos quanto as notícias que pudessem vir a respeito de Napoleão - talvez uma das figuras mais odiadas de toda a Europa até aquela época, ficaram sabendo que naquele ano de 1821, o tão famoso Bonaparte havia morrido na ilha de Santa Helena, para onde havia sido desterrado.

O tempo foi passando e por certo os pais e irmãos de Konrad e Elisabeth ficaram sabendo dos seus dilemas e, por se encontrarem em situação semelhante, entendiam muito bem que precisavam mesmo buscar o melhor. Nessa época correu a notícia da volta de D. João VI a Portugal e da independência do Brasil, a 07 de setembro de 1822. Poucos meses se passaram e no princípio de 1823 alguns vizinhos e irmãos de fé comentavam sobre um tal de Major Schaeffer, médico alemão, que havia estado no Brasil, e que agora voltava a Alemanha, arregimentando famílias que quisessem tentar a vida no novo país. Insatisfeitos com a vida na Alemanha e vendo a seriedade do contrato, com as regalias e possibilidades de um futuro melhor, ouvindo a respeito dessa nova terra, resolveram aventurar-se nessa jornada que sabiam, não seria nada fácil.

A notícia correu toda a região e era o assunto de cada roda, motivo de preocupação nas famílias que iriam separar-se, talvez para nunca mais encontrar-se nesta terra. Nas reuniões de oração, cada cristão dobrando seus joelhos, pedindo direção para esses jovens casais e seus filhos tão pequenos. Os avós, já cansados pelo peso dos anos, sofridos por causa das guerras e dos problemas advindos delas, agora com mais este sentimento de ter que ficar distante dos seus filhos e netinhos tão queridos. Tudo teria de ser decidido rapidamente, porque a viagem já estava marcada para o mês seguinte. Mas, e quanto às despesas da viagem? E quanto as roupas? Quanto tempo de viagem seria? A embarcação era de confiança? E se não se adaptassem à vida do tão falado Brasil? Não dava tempo para ficar pensando e conjecturando; era vir ou ficar.

 

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Da família dos Breder, ficou decidido que apenas o casal Konrad e Elisabeth, com seus filhinhos Tobias e Heinrich, iriam embarcar. Por certo deve ter havido um culto de despedida na pequena igreja onde se reuniam, mas as vozes embargadas pela dor devem ter tido dificuldade para cantar aqueles hinos tão bonitos: "Com tua mão segura bem a minha; pois eu tão frágil sou, ó Salvador; que não me atrevo a dar nenhum só passo; sem teu amparo, meu Jesus Senhor"; e mais: "Finda a lida terreal, quando já do rio além; nessa vida gloriosa me encontrar; sei que lá meu Redentor, sorridente, hei de ver; entre a turba, o primeiro a me chamar"; e alguém lá no fundo deve ter pedido para que cantassem aquele outro: "Leva tu contigo o nome de Jesus, o Salvador; este nome dá conforto, sempre, seja onde for"; e talvez uma tia do casal tenha pedido outro: "Meu Senhor, sou teu, tua voz ouvi; a chamar-me com amor; mas de ti mais perto eu quero estar; ó bendito Salvador". E é provável que o bispo ancião, após um sermão de conforto às famílias e de estímulo ao jovem casal, para que permanecessem firmes na fé e na esperança em Jesus, tenha terminado o culto cantando com a congregação: "Grande Deus! Em paz agora; vem, despede-nos, Senhor; Certos de fruir as bênçãos; que provêm do teu amor; dá-nos forças, dá-nos forças, neste mundo de amargor! Graças, graças de rendemos; pela tua redenção; e rogamos, fervorosos; tua constante proteção; Teu Espírito, teu Espírito, reine em cada coração".

E assim foi que no dia 24 de junho de 1823, o navio Argus já se encontrava no porto de Den Helder, na Holanda, esperando a tripulação que acabava de chegar de várias regiões, e lá estavam Konrad Breder, Elisabeth, Tobias e Heinrich, se juntando a vários irmãos das famílias Eller, Emerich, Loubach, Gripp, Heringer, Storck, Spamer, Schwab, Sathler, Caterink, Klein e ainda outras. Segundo resultado de minhas pesquisas pela Internet, no dia da saída fizeram um grande culto a Deus, cantaram e choraram e participaram todos juntos da Ceia do Senhor, lendo o Salmo 34: "Bendirei o Senhor em todo o tempo... Gloriar-se-á no Senhor a minha alma... Engrandecei o Senhor comigo... Busquei o Senhor e ele me acolheu... Contemplai-o e sereis iluminados... Clamou este aflito, e o Senhor o ouviu... O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem... Oh! Provai, e vede que o Senhor é bom... Temei o Senhor, vós os seus santos... aos que buscam o Senhor bem nenhum lhes faltará... Refreia a tua língua do mal... Aparta-te do mal, e pratica o que é bom... Os olhos do Senhor repousam sobre os justos... O rosto do Senhor está contra os que praticam o mal... Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado... Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor de todas o livra... O Senhor resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam, nenhum será condenado.

As bagagens já estavam acomodadas, os documentos conferidos, já haviam feito o culto a Deus e todos já haviam se despedido. O comandante do Argus deu ordens para levantar as velas e colocar o navio em funcionamento. Dá para imaginar que tanto os que estavam no navio quanto os que se despediam dos parentes, naquele porto holandês, cantaram: "Deus vos guarde pelo seu poder; sempre esteja a vosso lado; vos dispense o seu cuidado; Deus vos guarde pelo seu poder. Pelo seu poder, e no seu amor; ‘Té nos encontrarmos com Jesus; Pelo seu poder e no seu amor; Oh! Que Deus vos guarde em sua luz!" Na segunda estrofe já estavam a alguns metros do porto: "Deus vos guarde bem no seu amor; Consolados e contentes; Achegados para os crentes; Deus vos guarde bem no seu amor". Cantando novamente o coro, na terceira estrofe os de mais idade já não viam mais os rostos dos queridos, mas viam o navio e oravam em cântico: "Deus vos guarde do poder do mal; da ruína, do pecado; dos motins de qualquer lado; Deus vos guarde do poder do mal". Novamente o coro; e agora, ninguém via mais ninguém, mas sabiam que estavam ali, por isso terminaram o cântico entre lágrimas: "Deus vos guarde para o seu louvor; para o seu presente gozo; Seu serviço glorioso; Deus vos guarde para o seu louvor".

Diante do nosso conforto e das facilidades que nosso mundo nos oferece, talvez seja difícil até imaginar as lutas que nossos patriarcas tiveram que enfrentar para chegarem ao Brasil e para que, geração após geração, pudéssemos hoje nos reunir num encontro a nível nacional. Depois de uma viagem de 18 dias, foram obrigados a voltar ao porto de saída Den Helder, pois o mastro médio do navio Argus havia se quebrado. Imaginem só, todo aquele caminho de volta em mais 18 dias. Que constrangimento, que incômodo, que tragédia. Mas o mastro foi substituído, após uma espera de 28 dias. Novamente partiram e após l2 dias de viagem conseguiram entrar no canal, onde uma tempestade os obrigou a entrar no porto de Couse, na Inglaterra. Depois de permanecer ali por 11 dias, quando receberam novo estabelecimento, continuaram até Tenerife, a maior das Ilhas Canárias, numa viagem que levou 54 dias, sempre com ventos desfavoráveis.

Por favor, vão comparando a viagem dos nossos queridos com a nossa vinda até este encontro. Comparem a distância, a situação financeira, as questões de higiene, a água e a comida, a falta definitiva de comunicação com os parentes, o espaço, o tempo... Mas vamos lá. Quase chegando em Tenerife, foram abordados por um pirata africano que tinha 100 homens e 36 canhões a bordo. A meio tiro de espingarda de distância, os homens do navio pirata carregaram seus fuzis excelente e junto a cada canhão estava um homem pronto a abrir fogo. O pirata, com voz horrível, mandou que baixassem as velas. Depois se dirigiu a bordo, vendo os rostos assustados das crianças e das mulheres, principalmente, mas se convencendo que o navio era um pobre transporte de colonos, mudou seu tom, oferecendo aos irmãos várias frutas, como uvas, figos, laranjas e maçãs, como também vinho e aguardente. Seguindo viagem, chegaram a Santa Cruz, onde souberam que o mesmo navio pirata havia capturado um navio mercante um dia antes, em frente aos muros de Santa Cruz.

Digna de menção a história que aconteceu com a esposa do Pastor Sauerbronn, irmã Carlota, que perto das Ilhas de Cabo Verde, na noite de 17 de dezembro de 1823, dera à luz um garoto saudável. Reinou grande alegria pelos camarotes, tendo o pastor doado 36 garrafas de vinho de Tenerife. No dia seguinte, no entanto, sua querida esposa faleceu, à uma hora da tarde, não conseguindo ver o belo Brasil, do qual sempre falava. E da mesma maneira como foi mostrado na novela Terra Nostra, da Rede Globo, após o culto fúnebre, foi jogada ao mar pelos irmãos que não apenas acreditavam mas que também aguardam o dia em que os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. A viagem até o Rio de Janeiro foi mais tranqüila, com ventos mais fracos, onde chegaram no dia 13 de janeiro de 1824, após sete meses vendo céu e mar; mar e céu.

Quem pensa que a viagem terminou por ali, está redondamente enganado. Ali ficaram mais três meses e meio por conta do Imperador D. Pedro I e da Imperatriz Leopoldina, que várias vezes os visitaram, sendo muito condescendentes, conversando sempre com as crianças. Há até uma informação, por parte de alguém da família, que nossa matriarca, Elisabeth, tenha sido babá de Maria da Glória, filha primogênita do casal imperador, que na época contava cinco anos. É possível. Se é fato, um dia descobriremos. Passados os três meses e meio, chegaram a Nova Friburgo, cidade serrana de grande beleza natural e clima agradável, que fica a 847 m de altitude, à margem direita do rio Bengala, cerca de 150 km da capital. O nome da cidade se deve ao núcleo de colonização instalado em 1820, com imigrantes vindos da cidade suíça de Friburgo.

A presença de um Pastor atuante como Sauerbronn muito contribuiu para a manutenção da fé dos alemães em Nova Friburgo, local onde se fundou o primeiro núcleo luterano no Brasil. Além de sua firmeza na fé, era também organizado, transcrevendo cópias do fichário de colonos da igreja luterana, onde podemos hoje pesquisar dados sobre a procedência, idade, filiação, data de embarque na Alemanha e de desembarque no Rio de Janeiro, nome do navio, porto de embarque e outros. E ali estava Konrad, Elisabeth e os filhos Tobias e Heinrich. Alguns anos depois nasce sua filha Ana Elisabeth, em homenagem à sua mãe. Estavam acostumando-se na nova terra, com outra língua, outra cultura, mas num clima de muita paz, bem diferente da situação conturbada da Europa. Toda essa turma de alemães tornou-se a primeira comunidade evangélica da história do Brasil.

 

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Enquanto trabalhavam, vivendo um dia de cada vez, a família foi crescendo, os filhos foram casando e o evangelho ganhando a cada dia novos reforços, pois o Deus da História também estava trabalhando por aqui, da mesma maneira como conduzia os acontecimentos na Europa, muitas vezes tendo que fazer do limão a limonada, como se costuma dizer. No dia 10 de maio de 1855 chegou ao Rio de Janeiro o casal Robert Kalley e Sara Kalley e já no dia 19 de agosto do mesmo ano, data memorável na história do evangelho no Brasil, tem-se início a primeira Aula de Escola Dominical no nosso país. Segundo Henriqueta Braga, esta foi a época em que provavelmente os hinos evangélicos tenham sido entoados pela primeira vez em português. Tanto o Dr. Kalley como a Sra. Kalley eram talentosos poetas e músicos e foi sob o ministério deles que foi produzido o hinário "Salmos e Hinos", o mais usado por várias denominações no Brasil até metade do Século XX, que continha vários hinos de sua autoria, como Divino Salvador, contempla com favor; Com Jesus há morada feliz; Disposta a mesa; Ouvi o Salvador dizer; Qual o adorno desta vida; Fonte da celeste vida; Ó Rei sublime em majestade e glória; Eterno pai teu povo congregado; Altamente os céus proclamam; Jesus pastor amado; Eis-me ó Salvador aqui; Nas tormentas desta vida; e tantos outros. Em Petrópolis os Kalley vieram logo a ter contato com a colônia alemã, onde puseram em uso o Hinário Alemão - Cânticos para a Juventude. No dia 12 de agosto de 1859, desembarcou no Rio de Janeiro o primeiro missionário presbiteriano, vindo dos Estados Unidos, Ashbel Green Simonton.

Tanto os suíços como os alemães, tentando novas oportunidades, começaram a mudar-se para outras localidades, umas perto, outras mais longe. Uma família hoje, outra família amanhã, começaram a buscar novos ares. Pouco antes de 1868, os irmãos Sanglard, suíços de origem católica, chegaram até esta região, se estabelecendo no Córrego da Jacutinga. Em 1868 se estabeleceu a primeira família de protestantes - era Guilherme Eller, seu filho Pedro e familiares, imigrantes alemães, luteranos. Abriram picadas na mata virgem, derrubaram árvores frondosas e plantaram a nova variedade de café Java. Após 25 anos, veio também a família de Guilherme Breder e Carolina Gertrudes Breder, segundo consta no livro onde foram registradas as notas históricas do trabalho de evangelização da Igreja Evangélica Presbiteriana Breder e as atas da comissão organizadora da mesma, pelo Presbitério Espírito Santo e Minas, como transcrevemos:

"Pelo ano de 1893 veio com a família do Estado do Rio se estabelecer, ou fixar residência no lugar hoje denominado Fazenda Breder, o Sr. Guilherme Breder, membro da Igreja Luterana. Entre sua família, porém, já havia quatro filhos professado a fé na Igreja Presbiteriana de Friburgo que são os seguintes: Alfredo Breder, Candido Breder, Guilhermina Breder e Deolinda Luiza Breder. Com a vinda do Rev. Mathathias e com a conversão de outros crentes, como de José Francisco de Faria, começaram, então, a se reunir quinzenalmente em casa do referido Sr. Guilherme Breder, sob a direção do Rev. Mathathias Gomes, então pastor da Igreja Evangélica Presbiteriana de Alto Jequitibá. A congregação continuou a se reunir na casa do já mencionado Guilherme até ser mudada para a atual Casa de Oração. Foi sob o pastorado do Rev. Aníbal Nora que mais se desenvolveu a congregação, contribuindo para isto o zelo do presbítero da Igreja Presbiteriana de Manhuaçu, Levindo Peres de Oliveira em grande parte. Tomando em consideração um pedido dos membros da congregação, o Presbitério Espírito Santo e Minas, reunido em janeiro deste ano na Vila de São José do Calçado, estado do Espírito Santo, concedeu licença e nomeou a seguinte comissão para organizar em igreja aquela congregação: Rev. Aníbal Nora e o presbítero Ernesto Eckert, sendo organizada no dia 30 de março como se vê da ata que transcrevo abaixo:"

Pedimos permissão para mencionar apenas os membros da família Breder, quando na ata aparecem os membros recebidos por cartas demissórias da Igreja de Manhuaçu, por serem muitos. No mais, eis a ata completa: "Ata da Comissão Organizadora da Igreja Evangélica Presbiteriana Breder. Aos 30 dias de março de 1921, às 10 horas e 30 minutos, no templo da Congregação Breder, reuniu-se a comissão nomeada pelo Presbitério Espírito Santo e Minas para organizar essa congregação em igreja. Acharam-se presentes o presbítero Ernesto Eckert e o Rev. Paschoal Pitta, este como representante do relator, Rev. Aníbal Nora, que por motivo de luto na família, não pode estar presente e convidou o Rev. Pitta para substituí-lo. Também esteve presente o pastor da dita congregação, Rev. José Martins. Resolveu-se que o pastor presidisse os trabalhos. Este declara já haver examinado os seguintes candidatos à profissão de fé: Grimaldo Breder, Maria Rita de Jesus, Maria da Silva, Olinda Francisca da Costa e Manoel Martins. Foram recebidos em seguida, por cartas demissórias da Igreja de Manhuaçu, os seguintes membros: Luciano Breder, Octávia Breder, Jordelino Breder, Arnaldo Breder, Maria Cecília Breder, Geraldino Breder, Rosalina Breder, Aristides Breder, Leontina Breder, Adelino Gonçalves Povoa, Virgínia Gonçalves Povoa, Cândido Augusto Breder e Maria Soares. Com estes membros recebidos, vieram 105 menores que foram arrolados. Deu-se início aos trabalhos com uma oração pelo Rev. Martins, cantou-se o hino 101, o Rev. Pitta leu o capítulo 2 da I carta de Pedro, explicando o que é igreja; falou sobre o valor da ordem e o que é ordem na igreja; em seguida cantado mais um hino, foram recebidos pelo Rev. José Martins os candidatos examinados e o Rev. Pitta fez a pergunta constitucional e proclamou organizada a igreja. Passou-se à eleição dos oficiais, sendo eleitos presbíteros: Jacob Roberty, já ordenado, Luciano Breder, idem, e Francisco Emílio Augusto e diáconos: Alvino Heringer, Lindolpho Heringer e Manoel da Costa, sendo que o primeiro já havia sido ordenado. Suspendeu-se a sessão da comissão até o culto da noite, sendo os novos oficiais convidados a comparecerem a fim de receberem a imposição das mãos. Às sete horas da noite teve lugar o culto em que o Rev. Pitta pregou sobre Apocalipse 3.20. Após o sermão os novos oficiais, não ordenados, foram convidados a comparecerem e feito aos mesmos as perguntas de praxe e feita a pergunta constitucional à igreja, a comissão impôs as mãos, orando o Rev. Pitta, proclamando-os solenemente ordenados e empossados de seus cargos. Cantou-se o hino 304 e encerraram-se os trabalhos com a bênção pelo Rev. José Martins. E eu, secretário ad hoc, lavrei esta ata que assino. Paschoal Pitta, José Martins, Ernesto Eckert."

É preciso que fique também registrado neste documento, embora o façamos com pesar, que no princípio do Século XX, em data ainda não checada por nós, foi assassinado o nosso pai, avô, bisavô, trisavô, tetravô e pentavô, Guilherme Breder, que sofreu uma emboscada montada por ladrões de cavalos nessa região. De forma traiçoeira e cruel, proprietários vizinhos chamaram-no para irem atrás dos ladrões, buscar um cavalo que haviam furtado dele. Segundo nos contaram, ele havia dito aos vizinhos que quando precisassem dele era só chamar. Quis manter sua palavra, ao ser covardemente convidado, o que lhe custou a vida. Chegando na casa dos ladrões, pediu ao filho Luciano e ao genro Pedro Sathler que ficassem na porta da frente, enquanto ele iria pelos fundos. O ladrão fugiu justamente pelos fundos, atirando para todos os lados, atingindo vovô Guilherme que morreu poucas horas depois. Se pudéssemos mudar a história e voltar no tempo, quantos cavalos não daríamos hoje a ele, substituindo o furtado, para que a sua presença pudesse ter sido mais desfrutada, quanto a de vovó Carolina, sua esposa.

E vejam algumas preciosidades dos livros de ata do Conselho da Igreja que conseguimos resgatar: ata nº 24, de 29 de agosto de 1926, profissão de fé de Arnaldo, filho de Luciano e Octávia; ata nº 25, de 30 de janeiro de 1927, batismo de Avelina, filha de Geraldino e Rosalina; ata nº 26, de 11 de junho de 1927, batismo de Anália, filha de Arnaldo e Cecília; ata nº 28, de 07 de dezembro de 1927, batismo dos gêmeos Ezequias e Ezequiel, filhos de Aristides e Leontina; ata nº 33, de 28 de outubro de 1928, profissão de fé de: Enídio, Ademar e Maria, filhos de Luciano e Octávia e Orlandina, filha de Geraldino e Rosalina; ata nº 40, de 10 de janeiro de 1930, batismo de Geny, filha de Aristides e Leontina e Laurides, filha de Jordelino e Anna; ata nº 45, de 10 de dezembro de 1930, referência aos menores Gedalias, Genário e Avelina, filhos de Geraldino e Rosalina, transferidos para Reduto.

Ata nº 47, de 25 de março de 1931, eleição de Grimaldo Breder e Jordelino Breder como diáconos e batismo de Edson, filho de Jordelino e Anna; ata nº 48, de 05 de abril de 1931, batismo de Renée, filha de Aristides e Leontina; ata nº 49, de 20 de maio de 1931, assumia jurisdição sobre a irmã Carolina Gertrudes Breder, aqui residente há mais de 35 anos, professa na Igreja de Alto Jequitibá no princípio deste século; ata nº 53, de 21 de setembro de 1931, transferência de Ricardina, Jairo, Lídia, Altino, Arlindo, Eliciana e Wilson, filhos de Cândido e Maria; incluídos no Rol de Menores, por jurisdição: Adílio, Argentino, Antídio, Anair e Alcino, filhos de Arnaldo e Cecília; Erotildes, Maria, Guilherme e Elza, filhos de Aristides e Leontina; Josias, Dorivaldes, Jeronias, Florinda e Octacília, filhos de Luciano e Octávia; ata nº 56, de 03 de fevereiro de 1932, exclui, por falecimento, Carolina Gertrudes Breder, ocorrido a 02 de janeiro.

Ata nº 57, de 28 de fevereiro de 1932, registra a bênção matrimonial sobre os enlaces dos irmãos Enídio Breder e Alvina Abreu Breder e também de Arnaldo Breder Sobrinho e Elmira Abreu Breder, dois irmãos com duas irmãs, em 06 de fevereiro; ata nº 60, de 22 de maio de 1932, o batismo de Dário, filho de Grimaldo e Olívia e também de Maura, filha de Jordelino e Anna; ata nº 72, de 10 de janeiro de 1934, o batismo de Durvalina, filha de Luciano e Octávia, Ormezinda, filha de Jordelino e Anna, Nadir, filha de Arnaldo e Elmira, Delza, filha de Aristides e Leontina, Ilza, filha de Enídio e Alvina, Alair, filho de Arnaldo e Cecília e Deolandes, filho de Grimaldo e Olívia; ata nº 75, de 25 de fevereiro de 1934, ordenação do presbítero Arnaldo Breder Sobrinho, filho de Luciano e Octávia; ata nº 85, de 12 de outubro de 1935, profissão de fé de Erothildes, filha de Aristides e Leontina e de Josias, filho de Luciano e Octávia; batismo de Hilda, filha de Enídio e Alvina, Derlinda, filha de Jordelino e Anna, Dalila, filha de Grimaldo e Olívia, Adonias, filho de Sebastião e Maria.

E após quinze anos se reunindo na Parada, Luciano Breder resolve transferir-se para Alto Caparaó com toda a sua família, como está registrado na ata nº 86, de 04 de janeiro de 1936, cujos nomes menciona: Luciano Breder e Octávia Fernandes Breder, com os filhos menores, Dorivaldes, Jeronias, Florinda, Octacília e Durvalina, e Josias, já professo; Jordelino Breder e Anna Heringer Breder, com seus filhos Laurides, Edson, Maura, Ormezinda e Derlinda; Grimaldo Breder e Olívia de Abreu Breder, com os filhos Dário, Deolandes e Dalila; Adhemar Breder e Izaltina Tavares Breder; Arnaldo Breder Sobrinho e Elmira de Abreu Breder, com a filha Nadir; Enídio Breder e Alvina de Abreu Breder, com as filhas Ilza e Hilda; Sebastião Campos e Maria Breder de Campos, com o filho Adonias, num total de 32 pessoas.

Nossas pesquisas continuam e sabemos que nossos esforços, em levantar a história desta família, não serão em vão. Não apenas a família de Luciano Breder saiu aqui da Parada, mas praticamente todas as famílias de seus irmãos, estendendo-se por vários rincões deste imenso país. Existem Breder por todos os lados, em diversas funções e situações, sendo úteis para a sociedade. Para onde foram e onde quer que se encontrem, são parte viva desta história tão bonita e comovente, que teve como berço o oeste da Alemanha. Uma história que também nós estamos escrevendo, dia após dia, com o nosso modo de agir. Que a vida e exemplo de nossos patriarcas Konrad e Elisabeth nos sirvam de lição. E que nas horas de desânimo, de tristezas, de lutas, de desafios, lembremo-nos da sua história e de como, num contexto tão conturbado e difícil, tiveram garra e determinação para atingir o seu objetivo, reagindo sempre de maneira cristã.

Como certo dia li algures, o mais importante de qualquer encontro é o encontro. Mas que este documentário, longo, minucioso, exaustivo, talvez para alguns até inoportuno ou impróprio, faça-nos encontrar com nossas raízes tão fundas e fortes e sirva para sacudir-nos e incomodar-nos o bastante para que acima de tudo estejamos no centro da vontade de Deus. Deixo para o final as palavras de Elisa Smart, no hino que tantas vezes já cantamos, sem que, às vezes, tenhamos dado a devida consideração:

 

"Se da vida as vagas procelosas são; se, com desalento, julgas tudo vão;

Conta as muitas bênçãos, dize-as duma vez; Verás,com surpresa, quanto Deus já fez.

 

Conta as bênçãos, conta quantas são; recebidas da divina mão;

Vem dizê-las, todas duma vez; e verás surpreso, quanto Deus já fez.

 

Tens acaso mágoas? Triste é teu lidar? É a cruz pesada, que tens de levar?

Conta as muitas bênçãos, não duvidarás; e em canto alegre os dias passarás.

 

Quando vires outros com seu ouro e bens; lembra que tesouros prometidos tens;

Nunca os bens da terra poderão comprar; a mansão celeste que vais habitar.

 

Seja o conflito fraco ou forte cá; não te desanimes! Deus por cima está;

Seu divino auxílio, minorando o mal; te dará consolo, sempre, até final!

 

Amém.